VEJA VÍDEO – Coronel Fábio classifica projeto sobre Planta Genérica como ‘ilegal’ e diz que proposta pode comprometer orçamento de Rio Preto

Rodrigo Lima

Coronel Fábio Cândido (PL), prefeito de São José do Rio Preto, afirmou em entrevista exclusiva ao Diário do Rodrigo Lima, nesta quinta-feira (26), que o projeto em discussão na Câmara sobre a Planta Genérica de Valores (PGV) é “ilegal e inconstitucional” e pode gerar impactos severos nas finanças do município.

A declaração ocorre às vésperas da votação prevista para a próxima semana, em meio a um ambiente de forte embate político entre base governista e vereadores da oposição.

“Estamos fazendo o dever de casa”, diz prefeito

Questionado sobre a expectativa do governo diante da votação e se seria necessário aguardar estudos técnicos – como o da Fipe – antes de qualquer deliberação legislativa, o prefeito afirmou que a administração já está conduzindo uma revisão técnica interna.

“Esse projeto é ilegal e inconstitucional. Nós já discutimos a questão da Planta Genérica no município. Estamos fazendo o dever de casa, que é a correção de eventuais distorções que ocorreram”, disse.

Segundo ele, mais de 14 mil cadastros imobiliários já passaram por reavaliação, após a identificação de inconsistências no valor do metro quadrado de terrenos e construções. A expectativa, segundo o chefe do Executivo, é concluir essa etapa até a próxima semana.

“Devemos terminar esse trabalho até segunda-feira e apresentar os resultados à população. Já revisamos mais de 14 mil cadastros”, afirmou.

Reunião com empresários e crítica à “afobação”

O prefeito também mencionou reunião recente com representantes do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), na qual apresentou os dados da revisão em andamento.

Ele classificou como “temerária” a tramitação da proposta na Câmara antes da conclusão do trabalho técnico.

“É muito temerário para o Poder Público e para a população aprovar um projeto como esse, que tem fins exclusivamente eleitoreiros e não está voltado ao interesse da população de Rio Preto”, declarou.

Fábio Cândido afirmou ainda ter convicção de que os vereadores da base governista irão rejeitar a proposta.

Impacto nas finanças

Na entrevista, o prefeito argumentou que eventual aprovação do projeto poderia comprometer a capacidade orçamentária do município.

“Isso deixaria o município sem orçamento. Imaginem não ter recursos para investir em saúde pública, segurança, educação ou sequer para garantir o reajuste dos servidores. Isso destruiria o município”, afirmou.

O chefe do Executivo associou a movimentação à estratégia da oposição.

“O que a oposição quer é tumultuar um governo que está indo bem e que tem feito entregas importantes”, disse.

Superávit e recuperação fiscal

Como contraponto às críticas, o prefeito apresentou números da situação financeira da cidade.

Segundo ele, o município registra atualmente superávit financeiro de R$ 212 milhões. No início da gestão, conforme afirmou, havia um cenário de déficit estimado em R$ 288 milhões.

“Isso representa cerca de meio bilhão de reais recuperados ao longo de um ano de governo”, declarou.

O orçamento anual de Rio Preto gira em torno de R$ 4 bilhões.

Fábio Cândido argumenta que o equilíbrio fiscal tem permitido investimentos estruturais, citando projetos como o programa Smart Rio Preto, reforma de escolas e ampliação da malha asfáltica.

Limite de 20% no IPTU

O prefeito também defendeu a atualização da Planta Genérica de Valores, ressaltando que o IPTU está limitado a aumento máximo de 20% neste exercício, já considerando a inflação, além de desconto de 5% para pagamento à vista.

“Não se trata de imposto abusivo. É uma remuneração necessária para que o município possa executar seus projetos e manter a qualidade dos serviços públicos”, afirmou.

A votação do projeto na Câmara Municipal deve ocorrer na próxima semana e promete intensificar o embate político em torno da política tributária do município.

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