
A Polícia Civil de Santa Fé do Sul deflagrou nesta quarta-feira (11) a Operação Colateral, que resultou na prisão de duas pessoas suspeitas de integrar um esquema de comercialização ilegal de chamadas “canetas emagrecedoras”. Os produtos, segundo a investigação, eram introduzidos clandestinamente no Brasil a partir do Paraguai, sem registro sanitário, controle de qualidade ou garantia de procedência.
A apuração começou há pouco mais de um mês, após a identificação de anúncios feitos em redes sociais oferecendo substâncias injetáveis voltadas ao emagrecimento, inclusive produtos divulgados como tirzepatida. De acordo com a Polícia Civil, a venda ocorria à margem do sistema oficial de saúde, ampliando a circulação desses itens no mercado informal.
Nesta fase da operação, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados. Os policiais recolheram medicamentos, dispositivos de aplicação, embalagens, celulares, registros de venda e outros materiais que podem ajudar a identificar a cadeia de fornecimento e distribuição.
A ação foi coordenada pelos delegados responsáveis pela investigação e contou com a participação de equipes da CPJ de Santa Fé do Sul, além da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise), da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e da Delegacia Seccional de Jales.
Segundo a Polícia Civil, o nome da operação “Colateral” faz referência ao risco direto à saúde pública. Por se tratarem de produtos sem rastreabilidade, não há garantia sobre a composição, a concentração das substâncias, os diluentes utilizados ou as condições de fabricação. Também há suspeitas de falsificação, reutilização de frascos, rótulos e lotes irregulares, além de contaminação por manuseio inadequado.
Outro ponto de preocupação é o transporte e o armazenamento clandestinos. Medicamentos injetáveis desse tipo exigem, em geral, refrigeração e proteção contra a luz, condições que dificilmente são respeitadas fora da cadeia regular de distribuição, o que pode comprometer a eficácia e a segurança do produto.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem reiterado alertas sobre a compra de medicamentos por canais informais e, em janeiro deste ano, determinou a apreensão e a proibição de produtos irregulares anunciados como tirzepatida, reforçando o cenário de risco associado a esse mercado clandestino.
No âmbito criminal, os fatos investigados podem se enquadrar, em tese, nos crimes de contrabando – quando há importação de mercadoria proibida – e de falsificação ou adulteração de produto terapêutico ou medicinal, este último classificado como crime hediondo, com penas que podem chegar a 15 anos de reclusão, além de multa.
A Polícia Civil orienta que a população não adquira medicamentos por redes sociais, aplicativos de mensagens ou vendedores informais. A recomendação é que qualquer tratamento seja feito apenas com produtos regularizados, adquiridos em estabelecimentos autorizados e, quando necessário, com prescrição e acompanhamento profissional. O uso de medicamentos de origem clandestina, alerta a polícia, pode provocar reações adversas graves e danos à saúde.
