PODCAST – Secretária detalha como vai funcionar a primeira escola cívico-militar de Rio Preto em 2027

Rodrigo Lima

A primeira escola municipal com modelo cívico-militar de São José do Rio Preto deverá começar a funcionar em 2027. A informação foi confirmada pela secretária municipal de Educação, Rosicler Quartieri, durante entrevista ao Podcast Diário do Rodrigo Lima.

A unidade será instalada na Escola Municipal Maria Silva Pagotto, na região da Redentora, e atenderá alunos do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental dentro de um modelo de jornada ampliada. Segundo Rosicler, o projeto cívico-militar já integrava o plano de governo do prefeito Coronel Fábio Candido (PL).

A secretária afirmou que a escolha da Maria Silva Pagotto ocorreu porque a construção da unidade, iniciada ainda em 2021, já estava em andamento e porque a localização é considerada estratégica pela administração municipal. A escola deverá oferecer 240 vagas na creche e outras 250 no ensino fundamental.

A previsão é que as atividades comecem no ano letivo de 2027. De acordo com a secretária, as inscrições para a creche começam em 3 de novembro; para a pré-escola, em 7 de dezembro; e para o ensino fundamental, em 4 de janeiro.

Modelo não altera currículo, diz secretária

Durante a entrevista, Rosicler tentou afastar a ideia de que o modelo provocará uma militarização do conteúdo pedagógico. Segundo ela, professores, currículo e diretrizes educacionais continuarão sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Educação.

A participação da organização responsável pelo projeto cívico-militar ocorrerá principalmente no contraturno e em atividades ligadas à organização e à disciplina fora da sala de aula.

“Não há nenhuma alteração na estrutura, na base curricular”, afirmou. Segundo ela, a principal mudança estará nas atividades complementares e na organização disciplinar, que deverão ser executadas por uma Organização da Sociedade Civil  (OSC) selecionada pela Prefeitura.

A secretária disse ainda que profissionais vinculados ao projeto poderão ser militares da ativa, integrantes da Guarda Civil Municipal ou civis capacitados. Advertências formais e medidas disciplinares, no entanto, continuarão sob responsabilidade da direção escolar.

O modelo não será aplicado às crianças da creche e da pré-escola. Conforme Rosicler, o programa cívico-militar valerá exclusivamente para estudantes do ensino fundamental, do primeiro ao quinto ano.

Ela também disse que determinadas práticas tradicionalmente associadas ao ambiente militar não serão permitidas, citando continência e adoção de símbolos ou hinos específicos.

Prefeitura promete alternativa aos pais

Rosicler afirmou que famílias que não desejarem matricular seus filhos em uma unidade cívico-militar terão outras opções dentro da rede.

Segundo ela, a Prefeitura pretende oferecer outra escola com jornada ampliada e oficinas no contraturno, mas sem o modelo cívico-militar. A secretária também mencionou a existência de nove escolas regulares em um raio de aproximadamente dois quilômetros da região da Redentora.

A implantação foi apresentada ao Conselho Municipal de Educação. Rosicler afirmou ter solicitado pessoalmente uma reunião para explicar o funcionamento da jornada ampliada e do projeto.

A intenção da administração municipal é expandir o modelo para outras escolas. A secretária disse que futuras implantações deverão incluir consulta à comunidade.

Alfabetização: meta é chegar a 65%

Outro ponto central da entrevista foi o desempenho dos alunos da rede municipal na alfabetização.

Segundo Rosicler, atualmente 57% das crianças atingem o nível esperado de alfabetização na idade adequada. A meta da Secretaria de Educação é elevar esse índice para 65%.

Para tentar alcançar o objetivo, a pasta criou um núcleo de monitoramento e avaliação e ampliou os programas de formação dos professores. Cerca de 700 docentes participam de uma formação direcionada a profissionais iniciantes.

A secretária afirmou que o novo modelo de acompanhamento permite identificar dificuldades específicas de cada escola, turma e aluno, especialmente em habilidades de língua portuguesa e matemática.

Segundo ela, a secretaria pretende atuar de forma mais direcionada nas unidades onde forem identificadas defasagens.

Rosicler também apontou fatores que podem influenciar o aprendizado, como uso excessivo de celulares, pouca familiaridade das crianças com leitura e escrita antes do ensino fundamental e necessidade de maior participação das famílias.

Educação especial terá reforço

A secretária também falou sobre atendimento a crianças com deficiência e, em especial, estudantes que necessitam de acompanhamento educacional especializado.

Segundo Rosicler, o governo começou com 120 profissionais de apoio na educação infantil, passou por 150 e chegou a patamares próximos de 350 profissionais.

A Prefeitura pretende ainda alcançar 150 professores especializados em Atendimento Educacional Especializado. Atualmente, de acordo com ela, existem cerca de 90 profissionais, e um novo processo seletivo deverá ser aberto para ampliar o quadro.

Rede perdeu 2 mil alunos em um ano

Rosicler afirmou que Rio Preto não possui atualmente uma demanda represada por vagas em creches, embora algumas famílias esperem vagas em unidades específicas por questões de localização.

A secretária apresentou ainda um dado que deverá influenciar o planejamento da rede: o número de estudantes caiu de cerca de 40 mil em 2025 para 38 mil em 2026.

Na avaliação dela, a redução do número de nascimentos já começa a produzir impactos no planejamento de berçários e salas de aula. A exceção ocorre em novos bairros, onde o crescimento populacional ainda pode exigir construção de novas escolas.

Reformas e ar-condicionado em 100% das escolas

A entrevista também abordou uma das principais promessas da administração municipal: reformar unidades escolares e climatizar toda a rede.

Segundo Rosicler, um levantamento foi realizado nos aproximadamente 150 equipamentos da Educação para apontar necessidades estruturais. A próxima etapa deverá envolver apresentação dos estudos às comunidades escolares.

A secretária afirmou que a meta é concluir as reformas prometidas até 2028.

Em relação à instalação de aparelhos de ar-condicionado, Rosicler disse que aproximadamente 20% das escolas apresentam algum tipo de dificuldade estrutural que pode impedir a climatização imediata.

Apesar disso, afirmou que a determinação do prefeito é climatizar 100% das unidades até o final do mandato.

Uniformes: secretaria promete evitar novo atraso

Questionada sobre os problemas registrados na entrega de uniformes escolares em 2026, Rosicler afirmou que a situação foi regularizada e que a Prefeitura pretende começar 2027 com o processo organizado.

Ela atribuiu parte das dificuldades às mudanças de modelo, material, cores e tamanhos dos uniformes e a problemas enfrentados pela empresa vencedora da licitação.

Secretária critica “partidarização” da Educação

Na parte final da entrevista, Rosicler comentou as sucessivas discussões políticas envolvendo a Secretaria de Educação e convocações feitas pela Câmara Municipal.

A secretária disse preferir falar em “partidarização” da Educação e afirmou que a pasta está aberta à fiscalização dos vereadores.

Segundo ela, parlamentares deveriam visitar mais a Secretaria para acompanhar de perto as mudanças implementadas pela gestão.

Rosicler afirmou que sucessivas desconfianças e questionamentos políticos acabam atrasando o trabalho administrativo, embora reconheça que prestar esclarecimentos faz parte da função pública.

Ela também destacou a elaboração do Plano Municipal de Educação e do Currículo Municipal, além da criação de comissões internas com participação de diferentes setores.

“Rede municipal não perde em nada para a privada”

Ao final do podcast, Rosicler fez uma defesa da rede pública municipal.

Com 25 anos de experiência tanto na rede pública quanto na particular, a secretária afirmou que os professores do município possuem elevado nível técnico e disse que os pais podem confiar na qualidade do ensino oferecido.

Ela destacou ainda a expansão da jornada ampliada e afirmou que alunos do ensino fundamental poderão permanecer nas unidades das 7h às 16h.

“A rede municipal não perde em nada para a rede privada”, declarou.

Questionada sobre uma possível carreira política, Rosicler afirmou que não está filiada a nenhum partido e, por enquanto, não pretende disputar eleições.

“Eu só quero trabalhar para a Educação e fazer deste governo o melhor governo que Rio Preto já teve”, disse.

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