O aumento do consumo de energia, impulsionado pelo uso intensivo de ar-condicionado e eletrodomésticos mais potentes, tem exposto fragilidades recorrentes nas instalações elétricas de residências e comércios em São José do Rio Preto. O alerta foi feito pelo engenheiro eletricista Vitor Linhaes, da Multielétrica, em entrevista ao Podcast Diário do Rodrigo Lima.
Segundo Linhaes, erros no dimensionamento do cabeamento e dos dispositivos de proteção estão diretamente ligados a incêndios, choques elétricos e acidentes fatais, sobretudo envolvendo idosos. “Energia elétrica não é visível. O risco só aparece quando o problema já aconteceu”, afirmou.
Casos recentes registrados na região, inclusive com mortes por eletrocussão durante tentativas de manutenção em telhados, motivaram o engenheiro a reforçar a necessidade de acompanhamento profissional. “Subir em telhado para mexer com elétrica é extremamente perigoso. Um cabo mal isolado ou uma estrutura energizada pode ser fatal”, disse.
Ar-condicionado concentra maior parte dos problemas
De acordo com Linhaes, o circuito elétrico do ar-condicionado é hoje o principal ponto de falha nas residências. Com temperaturas elevadas, os equipamentos operam próximos do limite nominal, exigindo maior corrente elétrica. “Se o cabeamento não estiver corretamente dimensionado, ele aquece, perde isolação e pode provocar incêndio”, explicou.
Além do risco à segurança, o erro técnico também impacta o consumo. Cabos subdimensionados dissipam energia em forma de calor, aumentando a conta de luz sem que o usuário perceba. “É perda de energia pura, efeito Joule. Você paga e não usa”, afirmou.
Economia no material pode gerar prejuízo maior
O engenheiro alertou ainda para a falsa economia na compra de materiais elétricos de baixa qualidade. Cabos fora de norma, embora aparentem ter a mesma bitola, possuem menos cobre e aquecem mais rapidamente. “A isolação se rompe com o tempo. O barato pode sair muito caro”, disse.
Na avaliação de Linhaes, a elétrica costuma ser o último item considerado em obras e reformas, o que amplia os riscos. “As pessoas priorizam acabamento e deixam a elétrica de lado. Mas é justamente ela que pode colocar vidas em risco.”
Quadro elétrico exige atenção permanente
Descrito como o “coração da casa”, o quadro elétrico deve ser inspecionado periodicamente. Desarmes frequentes de disjuntores, aquecimento de cabos ou ruídos são sinais de alerta. “Disjuntor desarmando não é normal. Ele está avisando que há algo errado”, afirmou.
Dispositivos como IDR (proteção contra choque elétrico) e DPS (proteção contra surtos e descargas atmosféricas) também foram destacados como essenciais para a segurança de moradores e equipamentos.
Imóveis alugados e energia solar
Linhaes chamou atenção para imóveis alugados, que muitas vezes recebem pouca manutenção elétrica. Segundo ele, é comum que casas construídas com padrão mínimo sejam sobrecarregadas por novos moradores, com instalação de vários aparelhos sem adaptação da rede. “É uma bomba-relógio”, resumiu.
No caso da energia solar, o engenheiro alertou que falhas de instalação podem comprometer a geração e gerar riscos graves. Cabos prensados, falta de aterramento e ausência de proteção adequada podem energizar telhados metálicos. “Já houve casos de choque fatal em manutenção”, relatou.
Checklist básico para moradores
Para quem não tem conhecimento técnico, Linhaes recomenda atenção inicial ao quadro elétrico: verificar se há IDR, disjuntores compatíveis com as cargas e sinais de aquecimento. “O disjuntor protege o cabo. Se isso estiver invertido, o risco é real de incêndio”, disse.
A orientação central, segundo o engenheiro, é não improvisar. “Energia elétrica não admite gambiarra. Ao menor sinal de anomalia, o correto é chamar um profissional qualificado.”
