PODCAST – Apresentadora Nilessa Tait fala sobre saída da TV TEM após 18 anos e os bastidores da televisão 

Rodrigo Lima

A jornalista e apresentadora Nilessa Tait, figura emblemática do telejornalismo regional de São José do Rio Preto, rompeu o silêncio sobre sua saída da TV TEM após 18 anos de atuação. Em entrevista exclusiva ao Podcast Diário do Rodrigo Lima, Nilessa compartilhou detalhes emocionantes de sua trajetória, as mudanças no jornalismo contemporâneo e o impacto pessoal de deixar uma emissora onde construiu sua identidade profissional.

“Não foi uma escolha minha”, afirmou a jornalista logo no fim da conversa, revelando pela primeira vez publicamente que sua demissão foi resultado de um remanejamento interno da emissora afiliada à Rede Globo. “A empresa deve ter estudado muito bem. Mas a empresa não é família”, disse, em tom firme, mas sereno.

Do Mato Grosso a Rio Preto: duas décadas de TV

Nilessa relembrou como começou sua carreira ainda no último ano da faculdade, em Nova Mutum (MT), quando teve seu primeiro contato com as câmeras apresentando um programa local no SBT. Depois, passou pela TV Centro-América, afiliada Globo em Rondonópolis, por dois anos e meio, seguiu para Bauru, onde atuou por seis anos, e finalmente se estabeleceu por 12 anos em São José do Rio Preto, totalizando 18 anos de emissora.

Ela contou que a paixão pela comunicação começou ainda na infância, quando lia letreiros da TV como se fossem teleprompters. “Sempre gostei de teatro, de escrever, de me expor nas datas comemorativas da escola”, lembrou.

Barco afundando ao vivo e o jornalismo humanizado

Um dos momentos mais marcantes da carreira da apresentadora ocorreu em uma transmissão ao vivo durante o aniversário de uma cidade da região. O barco onde estava a equipe da TV afundou ao vivo na represa municipal. “Foi um dos episódios que mais me marcaram”, revelou. “Passamos vergonha, sim, mas conseguimos humanizar a situação e rimos de nós mesmos no dia seguinte. Virou pauta, meme e história.”

Ela ressaltou que momentos assim, embora embaraçosos, ajudam o público a enxergar o profissional de forma mais próxima. “A gente humaniza o jornalismo, e o telespectador se identifica. Quando passa a vergonha, o que fica é o carinho”, disse.

Bem na Fita: projeto local que virou quadro nacional

Outro marco da carreira de Nilessa foi a criação do quadro Bem na Fita, em 2018, voltado à saúde e ao emagrecimento. A proposta, inicialmente pensada para a TV local, ganhou projeção nacional e foi incorporada pelo programa Bem-Estar, da Globo. “Era sobre aceitação corporal, saúde real e não aquela idealizada das redes sociais. Foi transformador para mim e para muitas mulheres que se reconheceram no quadro”, relatou emocionada.

A jornalista contou que se expôs intencionalmente, compartilhando medidas, dietas e atividades físicas, para incentivar outras pessoas. “Uma mulher me mandou mensagem dizendo que voltou a usar regata depois de anos. Só por isso já teria valido.”

A frieza da demissão e a consciência da substituição

Ao tratar da saída da TV TEM, Nilessa mostrou maturidade: “Eu sempre trabalhei sabendo que um dia seria substituída. A empresa não é família. Ela não vai sentar com você para explicar. Ela apenas decide.” A decisão, segundo ela, foi coletiva e envolveu outros profissionais antigos da casa. “É claro que não foi fácil. Mas não quis remoer ou procurar culpados. Isso não leva ninguém a lugar nenhum.”

Ela ainda fez questão de pontuar que não guarda mágoas da emissora. “Trabalhei com dignidade, com entrega, com amor. Agora é um novo ciclo.”

Televisão, TP e o valor da verdade

Nilessa também falou sobre a técnica por trás da tela. Confessou que raramente usava o teleprompter (TP). “Eu preferia conversar com o público, especialmente em notícias difíceis. Queria passar empatia, explicar. ‘Hoje a gente vai falar de algo triste…’, começava assim”, descreveu.

Segundo ela, essa forma de comunicar criou vínculos com o público e reforçou sua identidade no jornalismo local. “É diferente falar de uma morte com frieza ou explicar com humanidade o que aconteceu. Eu sempre preferi o segundo caminho.”

Emoções no ar: choro, riso e saudade

A apresentadora revelou que chorou ao vivo em pelo menos três ocasiões: na morte do jornalista Joselito Paganelli, em uma matéria sobre um hospital em Jaci, e ao noticiar o falecimento de um casal de idosos que morreram no mesmo dia. “Chorar no ar é difícil de segurar. O riso até dá para disfarçar. O choro não”, disse com sinceridade.

Sobre os bastidores, lembrou de momentos descontraídos, trotes da equipe e da convivência intensa com colegas de redação. “É uma família que você escolhe todo dia. Por isso a saudade pesa.”

O jornalismo na era digital: “Notícia é perecível, mas precisa de credibilidade”

Durante a entrevista, Nilessa fez reflexões profundas sobre o papel do jornalista em um mundo dominado pela velocidade da informação. “A notícia é o produto mais perecível que existe hoje. Mas o jornalista é quem traz o aprofundamento, o contexto, a verdade.”

Ela criticou a avalanche de fake news, especialmente com o uso da inteligência artificial. “Vi recentemente uma fake news absurda sobre uma adestradora de orcas sendo morta ao vivo. Tudo falso. E viralizou como se fosse verdade. Só o jornalismo sério, com fontes e apuração, pode combater isso”, argumentou.

Futura psicóloga e novos rumos

Nilessa está a um ano e meio de concluir a graduação em Psicologia, seu segundo curso. “A escuta, a empatia e o acolhimento sempre fizeram parte de mim. Agora quero continuar ajudando as pessoas por outro caminho”, contou.

Apesar disso, ela não descarta voltar ao jornalismo. “Não sei o que vai acontecer. A comunicação sempre esteve em mim. Pode ser que o futuro me leve de volta para a TV, para um podcast, para um projeto novo… Mas agora estou me ouvindo.”

Reconhecimento e gratidão

Ao final do podcast, Nilessa se emocionou ao falar do carinho que recebe diariamente do público, mesmo após sua saída. “No supermercado, na rua, na padaria, sempre tem alguém que me chama, que pergunta quando volto, que diz que sente falta. Isso não tem preço. Essa é minha maior conquista.”

7 comentários em “PODCAST – Apresentadora Nilessa Tait fala sobre saída da TV TEM após 18 anos e os bastidores da televisão ”

  1. Sempre fui um admirador da profissional Nilessa, pela sua postura, sua inteligência, carisma. Depois, tive o prazer de conhecê-la pessoalmente, conviver um pouco com ela, até me tornar amigo. Aí a admiração triplicou. Sou testemunha da forma carinhosa como ela trata os fãs. meu desejo de todo sucesso nos novos projetos, pesosais e profissionais!

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  2. Nilessa é incrível!!! Que Deus abençoe sempre seus caminhos!!! Uma pessoa maravilhosa e excelente profissional! A emissora deu um tiro no pé com essa escolha! #SomosTodosNilessa ❤️

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    • Hoje fui buscar informações no Google, da Nilessa, pois não vi mas no telejornal, amava vela pelo seu profissionalismo, postura, carismas! Acho um absurdo a forma como eles tratam a saída dos seus profissionais de longa data, se falaram o motivo da saída dela no ar não soube, mas precisei buscar informações pela internet, foi quando localizei este maravilhoso podcast, parabéns @rodrigolima! 🥰🙏🫶👏🙌🤝👊🌻

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  3. EU ASSISTIA ELA TODOS OS DIAS, POIS SEMPRE ADMIREI SUA DESENVOLTURA!

    UANDO VOLTAR NÃO ESQUEÇA DE AVISAR PARA QUE EU VOLTE A SEGUIR SUAS APRESENTAÇÕES.

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  4. É um absurdo como os donos de emissoras tratam seus funcionários, principalmente os mais antigos de casa, descartam como fossem peças de roupas usadas, não levam em consideração o trabalho e o reconhecimento de tanta dedicação. Nilessa sempre foi uma apresentadora, carismática e muito profissional e com certeza deixou um grande vazio em nossos corações, onde estávamos acostumados todos os dias recebê-la em nossas casas. Desejo à você Nilessa toda sorte do mundo e espero em breve, vê-la novamente na TV. Boa sorte!!! Vc sempre será uma vencedora!!! Obrigada pelo podcast, arrasou!!

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