Do resgate em acidentes ao mergulho em rios sem visibilidade: o que acontece por trás do trabalho dos bombeiros em Rio Preto impressiona – e revela riscos que muita gente ignora. À frente de uma das corporações mais respeitadas pela população, o comandante do 13º Grupamento do Corpo de Bombeiros de São José do Rio Preto, tenente-coronel Orival Santana Júnior, afirma que o desafio atual da instituição vai além do combate a incêndios: envolve desde o aumento de acidentes de trânsito até a necessidade de modernização tecnológica e expansão da estrutura operacional.
Em entrevista ao Podcast Diário do Rodrigo Lima, o oficial detalhou os bastidores de uma corporação que atua em 96 municípios e soma quase 400 profissionais. “É uma responsabilidade muito grande. Nossa região tem grandes rios, ocorrências complexas e uma demanda crescente”, disse.
Estrutura em expansão e novo quartel
Um dos principais projetos em andamento é a construção de um novo quartel na zona sul de Rio Preto, viabilizado por emendas parlamentares e com apoio da Prefeitura. A unidade deve concentrar serviços estratégicos e melhorar o tempo de resposta das equipes.
Entre os diferenciais previstos está a implantação de um tanque de mergulho com até seis metros de profundidade, voltado ao treinamento de resgate em ambientes de baixa visibilidade — realidade comum nos rios da região.
Segundo o comandante, a estrutura permitirá preparar melhor os bombeiros para situações críticas. “Os nossos mergulhos são perigosos, muitas vezes sem visibilidade. O profissional precisa manter o controle emocional mesmo em situações extremas”, afirmou.
Acidentes de trânsito lideram atendimentos
Hoje, o principal tipo de ocorrência atendida pelo Corpo de Bombeiros na região são os acidentes de trânsito. De acordo com Orival, cerca de 60% das chamadas envolvem resgates, especialmente com motociclistas.
“O número de veículos cresce a cada ano, mas também cresce a imprudência. O que mais nos preocupa são os motociclistas, que muitas vezes trafegam em alta velocidade e desrespeitam a sinalização”, disse.
A orientação, segundo ele, é clara: em caso de acidente, a vítima não deve ser movimentada. “Mexer pode agravar uma lesão na coluna. O correto é sinalizar o local e acionar o socorro”, afirmou.
Incêndios e falhas elétricas
Embora tenham diminuído em número nos últimos anos, os incêndios ainda são frequentes — especialmente em imóveis comerciais. A principal causa, segundo o comandante, está relacionada à falta de manutenção elétrica.
“O uso de benjamins, sobrecarga de tomadas e instalações antigas são fatores recorrentes. Muitas vezes, o incêndio começa exatamente nesses pontos”, explicou.
Há também ocorrências provocadas por descuido doméstico, como velas acesas próximas a cortinas e objetos inflamáveis.
Tecnologia e resposta rápida
Para enfrentar a alta demanda e a limitação de efetivo, a corporação tem investido em tecnologia. Drones, equipamentos elétricos de desencarceramento e apoio aéreo fazem parte da rotina operacional.
“Hoje temos ferramentas mais leves, mais rápidas e eficientes. Isso reduz o tempo de resposta e aumenta a segurança do bombeiro e da vítima”, afirmou.
O tempo médio de atendimento, segundo o comandante, gira em torno de até 10 minutos na área urbana – índice considerado eficiente diante da extensão territorial atendida.
Afogamentos e comportamento de risco
Outro ponto de atenção são os afogamentos, comuns em rios e prainhas da região. O comandante alerta que, na maioria dos casos, há comportamento de risco envolvido.
“O álcool é um fator decisivo. A pessoa se sente mais confiante, nada além do limite e não consegue voltar. Também há negligência com crianças e falta de uso de coletes”, disse.
Vocação e preparo extremo
Com quase três décadas de carreira, Orival resume a profissão em uma palavra: vocação.
“O bombeiro é altamente técnico. Exige preparo físico, psicológico e dedicação constante. O treinamento é intenso porque, na hora real, não há margem para erro”, afirmou.
A formação inclui testes de resistência, simulações em ambientes confinados, trabalho em altura e situações de risco controlado — etapas que selecionam apenas os aptos a atuar na linha de frente.
