PF cumpre mandado contra filho de empresário ligado ao garimpo; advogado de Rio Preto atua no caso e diz que investigado não participou de crimes

Rodrigo Lima
O advogado criminalista Augusto Mendes Araújo, responsável pela defesa de Celso Martins Mello, afirmou que já solicitou acesso aos autos e peticionou ao ministro do STF Alexandre de Moraes, destacando que a defesa mantém postura colaborativa com a investigação e confia no esclarecimento dos fatos./imagem – Rodrigo Lima 2/9/2025

O empresário do setor de garimpo Rodrigo Martins Mello, conhecido como Rodrigo Cataratas, afirmou neste sábado, 14, que seu filho, Celso Martins Mello, foi preso pela Polícia Federal no âmbito da investigação que apura uma suposta rede de apoio à saída do deputado federal Alexandre Ramagem do país. Segundo Cataratas, o filho é inocente e a defesa já atua para tentar reverter a prisão.

Em nota divulgada pela assessoria, o empresário informou que o mandado foi cumprido em Manaus (AM) por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do inquérito que investiga a chamada fuga de Ramagem. A defesa sustenta que não houve qualquer participação de Celso em atos ilícitos.

“A assessoria reforça a importância do respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência, destacando que qualquer conclusão antecipada não condiz com os fatos”, diz o comunicado.

O advogado criminalista Augusto Mendes Araújo, de São José do Rio Preto e responsável pela defesa, informou que já peticionou ao ministro Alexandre de Moraes solicitando acesso integral aos autos e afirmou que ainda não teve acesso à decisão que embasou a prisão. Segundo ele, a atuação da defesa será pautada pela colaboração com as autoridades.

“Ainda não fomos habilitados no processo e não tivemos acesso à decisão que determinou a prisão, mas já solicitamos despacho junto ao ministro relator para esclarecer os fatos”, afirmou o advogado. “A defesa adota uma postura colaborativa e aguarda que, nos próximos dias, o próprio investigado seja ouvido diretamente pelo gabinete, oportunidade em que poderá esclarecer os acontecimentos.”

Araújo acrescentou que a defesa pretende demonstrar que Celso Martins Mello não participou de qualquer ato criminoso. “Nossa atuação tem como objetivo fazer Justiça”, declarou.

O caso ganhou repercussão após reportagens indicarem a possível participação de Cataratas em uma rota utilizada por Alexandre Ramagem para deixar o Brasil, passando pela Guiana antes de seguir para os Estados Unidos. O empresário, que mantém negócios no país vizinho e em Roraima, reagiu publicamente às acusações, negando qualquer envolvimento e classificando a versão como perseguição política.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Cataratas afirmou que mantém amizade com Ramagem, mas sustentou que isso não configura crime. “Ele é deputado federal. Quando esteve em Roraima pela última vez não existia nenhuma condenação contra ele. Essa narrativa de fuga é falaciosa”, disse.

No mesmo vídeo, o empresário afirmou ter tomado conhecimento da condenação de Ramagem apenas pelas redes sociais. “Quando soube, ele já estava nos Estados Unidos”, declarou.

Rodrigo Cataratas é pré-candidato ao Senado pelo PRD. Em 2022, disputou uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PL e declarou à Justiça Eleitoral manter R$ 4,5 milhões em dinheiro vivo, além de um patrimônio total estimado em R$ 33,6 milhões, composto por aeronaves e veículos. Ele também é um dos líderes do movimento “Garimpo é Legal”.

O empresário responde a processos na Justiça Federal relacionados à exploração ilegal de ouro em Roraima e foi denunciado pelo Ministério Público Federal por suspeita de envolvimento em ataques a equipamentos do Ibama e da Polícia Federal em 2021. O filho, Celso Martins Mello, também já teve passagem pela Justiça: em 2022, foi preso sob suspeita de garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, sendo solto dias depois.

A Polícia Federal segue apurando as circunstâncias da saída de Alexandre Ramagem do país. A defesa de Celso aguarda acesso aos autos para adotar as medidas judiciais cabíveis.

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