MP abre inquérito civil e mira uso irregular de área da Cidade das Crianças em Rio Preto

Rodrigo Lima
Promotor de Justiça Carlos Romani é o responsável pela investigação do Ministério Público/imagem – divulgação

O Ministério Público abriu inquérito civil para apurar a utilização de área pública no Parque Cidade da Criança como estacionamento durante o show da banda Guns N’ Roses, realizado em 7 de abril no Recinto de Exposições de São José do Rio Preto.

A investigação foi instaurada pelo promotor de Justiça Carlos Romani após uma fase inicial de apuração preliminar. O foco é verificar a regularidade da autorização concedida para uso do espaço e a destinação dos valores arrecadados com a atividade.

A permissão para exploração da área foi assinada pelo então secretário municipal de Esportes, Kleber Fernando Trindade Mello, conhecido como Klebinho Kizumba, que deixou o cargo dias depois da repercussão do caso. Ele é vereador licenciado e já retornou à Câmara.

De acordo com informações divulgadas pela Prefeitura, a receita obtida com o estacionamento seria destinada a uma entidade com sede em Guaraci. O evento reuniu cerca de 30 mil pessoas.

O promotor afirmou que já notificou tanto o Executivo quanto o Legislativo, mas não obteve resposta dentro do prazo considerado razoável. Diante disso, decidiu avançar para a abertura formal do inquérito. Ele também agendou oitivas para o dia 6 de maio, incluindo o próprio vereador, assessores legislativos e representantes da entidade envolvida.

Motoristas realizaram pagamentos via Pix no dia do evento. Os comprovantes apontam transferências vinculadas a pessoas ligadas à estrutura administrativa do Legislativo. Um dos citados, que ocupava cargo na área financeira, foi posteriormente exonerado.

A investigação busca esclarecer o volume arrecadado e o destino dos recursos, além de verificar eventual favorecimento ou irregularidade no processo de autorização. Para aprofundar a análise, o Ministério Público solicitou a apresentação de extratos bancários referentes ao período entre 7 e 21 de abril, mantendo o sigilo dos dados no procedimento.

Na portaria de instauração, o promotor menciona indícios de que a cessão do espaço ocorreu de forma direta a uma entidade sem vínculo comprovado com o município e com histórico recente de inatividade. O documento também aponta que outras organizações locais não teriam sido consultadas ou sequer informadas sobre a possibilidade de uso da área.

A representante da entidade afirmou que toda a documentação foi encaminhada aos órgãos competentes, incluindo a Prefeitura e o Ministério Público.

Em manifestação publicada nas redes sociais, Kizumba negou irregularidades. Segundo ele, a autorização seguiu critérios legais e atendeu ao interesse público, com observância dos princípios de transparência.

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