Funcionário do IML é preso por suspeita de desviar Pix de morto em Santos

Rodrigo Lima
Funcionário do IML de Santos é preso sob suspeita de fazer Pix de R$ 7.000 com celular de morto/imagem – ilustrativa/IA

Um atendente de necrotério, de 36 anos, foi preso preventivamente sob suspeita de transferir R$ 7 mil da conta bancária de um homem morto, chegou a atender a própria viúva da vítima dias após o caso ter sido denunciado à polícia. Segundo relato da mulher, ele se apresentou com outro nome durante o atendimento no Instituto Médico Legal (IML) de Santos, no litoral paulista.

A prisão foi decretada na segunda-feira (8). De acordo com a investigação, o servidor é suspeito de utilizar o telefone celular de um motociclista que morreu após um acidente para realizar uma transferência via Pix para sua conta bancária.

O caso veio à tona quando a viúva procurou uma agência bancária para encerrar a conta do marido. Ao analisar o extrato, ela identificou uma movimentação financeira realizada após a morte dele. A transferência, no valor de R$ 7 mil, chamou a atenção por ter ocorrido horas depois do falecimento.

A partir do nome do destinatário do Pix, a mulher descobriu que o beneficiário era funcionário do IML de Santos e registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil.

Dias depois, ao retornar ao instituto para obter documentos necessários ao inventário, ela afirma ter sido atendida novamente pelo suspeito.

Segundo o relato, o funcionário demonstrou tranquilidade durante todo o atendimento e não apresentou qualquer reação que indicasse desconforto diante da presença da família da vítima.

“Ele nos atendeu normalmente, como se nada tivesse acontecido”, afirmou a viúva em entrevista à TV Tribuna.

A mulher contou que decidiu perguntar o nome do servidor após suspeitar de sua identidade. Ele teria se apresentado como “Fábio”. Após deixar o local, ela comunicou o episódio à Corregedoria da Polícia Civil, informando que o homem que a atendeu seria o mesmo investigado pelo desvio do dinheiro.

Outro ponto que levantou suspeitas da família foi o estado do aparelho celular da vítima. Segundo a viúva, quando o telefone foi devolvido após o reconhecimento do corpo, o equipamento apresentava sinais de danos e aparentava estar quebrado.

Ao acessar o aparelho, ela percebeu ainda que mensagens e arquivos do WhatsApp não estavam mais disponíveis. A última atividade registrada no aplicativo ocorreu às 8h22 do dia da morte, informação que passou a integrar os elementos analisados pelos investigadores.

O comprovante bancário obtido pela família aponta que a transferência para a conta do suspeito foi realizada às 6h49, poucas horas após o corpo ter sido encaminhado ao IML.

Para a viúva, há indícios de que o aparelho tenha sido utilizado para efetuar a transação e posteriormente danificado. A hipótese é apurada pela Corregedoria da Polícia Civil.

Com a prisão preventiva decretada, a expectativa da família é que o servidor seja responsabilizado criminalmente e que o prejuízo financeiro seja ressarcido.

O caso segue sob investigação da Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo.

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