VEJA VÍDEO – Foragidos da Justiça podem ser identificados em jogos do Mirassol com uso de IA

Rodrigo Lima

A Polícia Militar do Estado passou a utilizar, nos jogos do Mirassol Futebol Clube, uma das principais ferramentas de inteligência da área de segurança pública paulista: o Muralha Paulista. A integração do sistema ao reconhecimento facial já adotado no Estádio José Maria de Campos Maia, o Maião, amplia o monitoramento e permite a identificação e prisão de pessoas procuradas pela Justiça durante eventos esportivos.

A iniciativa resulta de uma parceria entre a Polícia Militar e o Mirassol FC e posiciona o município como a segunda cidade do Estado de São Paulo e a primeira do interior paulista a contar com esse tipo de tecnologia integrada em um estádio de futebol.

O que é o Muralha Paulista

Criado pela Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), o Muralha Paulista é um sistema de inteligência que integra bancos de dados, câmeras de monitoramento e tecnologias de análise automatizada, incluindo reconhecimento facial e leitura de placas de veículos.

A plataforma cruza imagens captadas em tempo real com bases oficiais de dados do Poder Judiciário, permitindo a identificação de:

foragidos da Justiça;

pessoas com mandados de prisão em aberto;

criminosos condenados;

indivíduos com restrições judiciais vigentes.

O sistema já é utilizado em rodovias, áreas urbanas estratégicas e grandes eventos, com atuação conjunta das forças policiais.

Como funciona no estádio

No caso do Mirassol, o reconhecimento facial, exigido no processo de entrada dos torcedores, passa agora a operar integrado ao Muralha Paulista. Na prática, isso significa que as imagens captadas nas catracas do estádio são analisadas automaticamente pelo sistema de inteligência da SSP.

Havendo correspondência com registros de pessoas procuradas pela Justiça, a informação é imediatamente encaminhada às equipes da Polícia Militar, que podem agir de forma discreta e técnica, garantindo a segurança do público e evitando tumultos.

Segundo a PM, o objetivo não é criar constrangimento aos torcedores, mas impedir que eventos esportivos sejam utilizados como locais de refúgio por criminosos.

Segurança em grandes eventos

Em vídeo divulgado oficialmente, o major Rafael Helena, da Polícia Militar, destacou que a integração amplia a capacidade de prevenção e resposta da corporação.

“Com essa tecnologia, conseguimos identificar pessoas procuradas pela Justiça e agir com rapidez, garantindo um ambiente mais seguro para todos que frequentam o estádio”, afirmou.

A adoção do sistema segue uma diretriz da SSP de ampliar o uso de tecnologia em grandes eventos, como partidas de futebol, shows e celebrações públicas, considerados pontos sensíveis do ponto de vista da segurança.

Mirassol como referência no interior

Com a implantação do Muralha Paulista no Maião, Mirassol se antecipa a uma tendência que deve se expandir para outros estádios do interior paulista. A medida reforça o discurso de que segurança pública e entretenimento de massa precisam caminhar juntos, especialmente diante do aumento do público e da visibilidade dos jogos.

Para a Polícia Militar, a parceria com o clube demonstra que a cooperação entre poder público e instituições privadas pode produzir resultados concretos na prevenção ao crime, sem alterar a experiência do torcedor.

A expectativa é que o sistema atue de forma contínua ao longo da temporada, com ajustes operacionais conforme o fluxo de público e o perfil dos eventos realizados no estádio.

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