
Mirassol começa, a partir da próxima segunda-feira (2), a oferecer vacinação gratuita contra a chikungunya para moradores de 18 a 59 anos em todas as unidades básicas de saúde do município. A cidade integra um grupo restrito de dez municípios selecionados no Brasil, distribuídos por quatro estados, para a primeira etapa da estratégia nacional de imunização contra a doença.
A inclusão de Mirassol levou em conta critérios técnicos definidos pelo Ministério da Saúde, que combinam risco epidemiológico, circulação prévia do vírus, perfil populacional e capacidade operacional dos sistemas locais de saúde para absorver uma nova vacina em curto prazo.
Em entrevista exclusiva ao Diário do Rodrigo Lima, concedida durante um evento da maçonaria realizado neste sábado (31), em São José do Rio Preto, o secretário estadual de Saúde, Eleuses Paiva, classificou o início da vacinação como um marco histórico para a saúde pública paulista.
Ele diz que para o Governo de São Paulo, é motivo de orgulho ver o Instituto Butantan liderar avanços que colocam o Estado na vanguarda da inovação em saúde. De acordo com Eleuses, a meta desta primeira etapa é alcançar alta cobertura do público elegível, com rapidez e organização, para proteger a população e reduzir o impacto da doença.
Segundo Paiva, a expectativa é de ampliação gradual da estratégia, conforme avaliação dos resultados e critérios técnicos definidos pelo Ministério da Saúde.
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Aumento expressivo de casos
A decisão de incluir Mirassol está diretamente ligada à elevação dos registros da doença. De acordo com o Painel de Monitoramento de Arboviroses do Ministério da Saúde, o município passou de um caso provável em 2023 para 833 em 2024, com três óbitos atribuídos à chikungunya. Em 2025, até o momento, já foram contabilizados 111 casos prováveis.
Atualmente, não há tratamento específico contra a doença. O manejo clínico se restringe ao controle dos sintomas, como dor, febre e inflamação, com analgésicos, repouso e hidratação. Em casos mais graves, a chikungunya pode evoluir para dores articulares crônicas, com impacto prolongado na qualidade de vida.
Pesquisa regional foi decisiva
O início da vacinação é resultado de anos de pesquisa conduzida em São José do Rio Preto, com participação da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e da Funfarme, mantenedora do Hospital de Base. As instituições integraram a fase três dos estudos clínicos, etapa que avalia segurança e eficácia do imunizante.
O virologista Maurício Lacerda Nogueira, coordenador dos estudos, afirma que a vacina surge como ferramenta estratégica de prevenção. “Ainda temos uma população altamente suscetível. A vacina é fundamental para evitar futuras epidemias”, diz.
O imunizante utiliza o vírus chikungunya atenuado, modificado por engenharia genética. Nos ensaios clínicos realizados no Brasil e nos Estados Unidos, cerca de 99% dos voluntários desenvolveram anticorpos neutralizantes com apenas uma dose.
Produção e próximos passos
A vacina é fruto de parceria entre o Instituto Butantan e a farmacêutica Valneva, e já recebeu aval da Anvisa. Com a autorização, o Butantan solicitou a incorporação da fórmula ao SUS.
Em Mirassol, a meta é vacinar cerca de 40% do público-alvo, o equivalente a 37,5 mil pessoas, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. As salas de vacinação funcionarão de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 19h, e aos sábados, das 8h às 17h, em todas as UBS do município.
Além de Mirassol, participam desta etapa cidades de Sergipe, Ceará e Minas Gerais, reforçando o caráter experimental e estratégico da campanha, que pode servir de base para uma política nacional mais ampla de imunização contra a chikungunya.
