Semae abre licitação de R$ 60 milhões para recuperar ETE em Rio Preto

Rodrigo Lima
Estrutura externa da ETE Rio Preto, com sinais de desgaste/imagem – divulgação

O Serviço Municipal Autônomo de Água e Esgoto de São José do Rio Preto (Semae) deu início ao processo para a reestruturação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), principal unidade do sistema de saneamento do município. A autarquia abriu licitação com valor estimado em R$ 60 milhões para recuperar estruturas consideradas críticas e que, segundo relatórios técnicos, apresentavam problemas desde 2019.

A intervenção mira especialmente os reatores anaeróbicos de fluxo ascendente (UASB), responsáveis pela primeira etapa do tratamento biológico do esgoto. É nesse processo que até 70% da carga orgânica do efluente é removida antes das fases seguintes. Atualmente, vazamentos em paredes e lajes comprometem a estanqueidade das estruturas, reduzindo a eficiência operacional e ampliando riscos ambientais e à saúde pública.

A ETE Rio Preto trata 100% do esgoto coletado na cidade, com vazão média de 1.240 litros por segundo, o que a torna estratégica para o funcionamento do sistema de saneamento local. “Trata-se de um investimento inadiável”, afirma Wagner Castilho Botaro, diretor do Departamento de Sistema de Esgoto do Semae.

O superintendente da autarquia, Rodrigo Carmona, e o prefeito Coronel Fábio Cândido (PL) classificam o pacote de obras como resposta a um passivo histórico. Segundo o prefeito, os problemas estruturais acumulados ao longo dos anos exigem ação imediata. “São questões complexas, com raízes antigas, mas estamos tratando com a seriedade e a urgência que a situação demanda”, afirmou.

Além da ETE, o plano prevê outras intervenções consideradas essenciais e que estavam represadas há anos. Entre elas está a recuperação da Estação Elevatória de Esgoto Porto de Areia, responsável por parte significativa da Região Sul e de áreas centrais da cidade. A obra inclui a construção de um sistema de desvio capaz de operar até 100% da vazão, modernização do bombeamento, substituição de equipamentos obsoletos e reforço da infraestrutura elétrica.

Segundo o Semae, a elevatória atende cerca de 60 mil moradores e opera hoje com baixa confiabilidade, o que eleva o risco de extravasamento de esgoto bruto no rio Preto, com impacto ambiental direto.

O pacote inclui ainda a substituição e ampliação do interceptor da margem direita do rio Preto, medida apontada como prioritária desde 2021 para evitar vazamentos e garantir que o esgoto chegue adequadamente à estação de tratamento. Também estão previstas obras no interceptor da avenida Ernani Pires Domingues, com foco na correção de vazamentos, retirada de assoreamento e redimensionamento da tubulação.

Outra frente considerada crítica é a revitalização do gradeamento grosseiro da ETE, etapa inicial do tratamento responsável por reter sólidos de grande porte. Em estado avançado de deterioração, o sistema apresenta risco de falha total, o que poderia levar à paralisação da estação.

Em nota, o Semae afirmou que o conjunto de obras reflete o compromisso da atual gestão com a recuperação da infraestrutura de saneamento, a transparência no uso dos recursos públicos e a adoção de soluções técnicas de longo prazo.

Para a prefeitura, o investimento busca não apenas corrigir falhas estruturais, mas garantir segurança ambiental, eficiência operacional e ganhos diretos à saúde pública, em uma cidade que depende integralmente da ETE Rio Preto para o tratamento de seus esgotos.

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