PODCAST – Prefeitura avalia leiloar Trem Caipira após encerramento do projeto em Rio Preto

Rodrigo Lima

Ao completar o primeiro ano à frente da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, o jornalista e empresário Mário Welber defende que a cidade entrou em um novo ciclo de crescimento sustentado por três frentes centrais: atração de empresas, apoio ao pequeno empreendedor e articulação institucional para destravar entraves burocráticos que historicamente afastaram investimentos.

Em entrevista ao Podcast Diário do Rodrigo Lima, Mário afirmou que o município vive um momento de inflexão, no qual decisões econômicas passaram a considerar não apenas números e incentivos fiscais, mas também fatores como qualidade de vida, segurança jurídica e capacidade do poder público de dialogar internamente para resolver problemas concretos de empresários e empreendedores.

“O que faz um negócio se concretizar são os números, a perspectiva de lucro, mas existe um fator que a inteligência artificial nunca vai substituir: o olho no olho, o aperto de mão”, afirmou o secretário.

Trem Caipira será encerrado por inviabilidade econômica

Um dos anúncios de maior impacto da entrevista foi a confirmação do encerramento definitivo do Trem Caipira, projeto turístico que operava de forma intermitente na cidade.

De acordo com Márcio, o custo médio era de R$ 300 por passageiro, sem retorno econômico significativo. Além disso, o projeto enfrentava riscos operacionais ao dividir trilhos com composições de carga pesada, além de limitações logísticas e paisagísticas.

“A conta não fecha. Não dá para negociar com a matemática”, afirmou. Segundo ele, o prefeito Coronel Fábio Candido (PL) decidiu encerrar o projeto, e o equipamento poderá ser levado a leilão.

A decisão reacende o debate sobre planejamento, uso de recursos públicos e critérios para investimentos turísticos no município.

Tripé econômico e aposta em tecnologia

Segundo Mário, a economia de Rio Preto se sustenta em um tripé formado por serviços, indústria de transformação e agronegócio. O setor de serviços responde por cerca de 23% a 24% da atividade econômica, enquanto a indústria representa 18% a 19%, com o agro em crescimento e papel central no abastecimento e nas exportações.

A novidade, segundo ele, é o fortalecimento de uma quarta frente estratégica: a tecnologia, especialmente ligada à área da saúde. O município aposta na criação de hubs de inovação e na aproximação com startups e empresas de base tecnológica, aproveitando a estrutura hospitalar e universitária da cidade.

Empresas chegam, mas desafio é transformar investimentos em empregos

Mário afirmou que, apenas no último ano, dialogou com mais de 100 empresas interessadas em se instalar ou expandir operações em Rio Preto. Dados apresentados pelo secretário indicam que a cidade registrou crescimento de 11% na abertura de empresas no primeiro semestre de 2025, superando recordes anteriores.

Entre os investimentos em andamento, ele citou a construção de um empreendimento ligado à Shopee e conversas com outras grandes empresas de tecnologia. Para a população, no entanto, o desafio central segue sendo transformar esse movimento em empregos efetivos e renda, especialmente em um cenário de juros elevados e incertezas econômicas nacionais.

“Desenrolar” como política pública

Um dos pontos mais sensíveis abordados na entrevista foi o reconhecimento de que a burocracia municipal ainda é um obstáculo real para quem deseja empreender. Mário afirmou que entraves legais e administrativos, não revistos em gestões anteriores, continuam espantando investidores.

A estratégia adotada, segundo ele, tem sido compensar essas dificuldades com desburocratização prática, articulação entre secretarias e atuação direta da pasta para intermediar soluções.

“Às vezes o problema está na Fazenda, às vezes na Procuradoria. A gente junta todo mundo na mesa e busca uma solução legal. O empresário precisa sentir que não está sozinho”, disse.

Banco do Povo e foco no microempreendedor

Na ponta da economia, o governo municipal aposta no fortalecimento da Sala do Empreendedor e na descentralização do Banco do Povo, com crédito a juros reduzidos para pequenos negócios. O secretário relatou casos de empreendedores informais que, após regularização e acesso a financiamento com juros de 0,4% ao mês, conseguiram ampliar estrutura e gerar empregos.

Segundo Mário, a política inclui capacitação obrigatória para evitar endividamento excessivo. “Se não houver orientação, em vez de empreendedor você cria mais um endividado”, afirmou, citando dados que apontam 9 milhões de empresas endividadas no Brasil.

Crescimento do aeroporto e articulação internacional

Outro eixo da estratégia econômica envolve o aeroporto de Rio Preto, que vem registrando crescimento contínuo no número de passageiros. Mário classificou o movimento como irreversível e disse que uma das primeiras ações ao assumir a secretaria foi retomar diálogo com companhias aéreas após a perda de voos.

Além disso, o município intensificou uma agenda de articulação internacional, com missões e contatos com Estados Unidos, Europa, China, Israel e países da América do Sul. Segundo o secretário, as exportações de Rio Preto cresceram 32% em 2025, alcançando cerca de US$ 70 milhões, de acordo com dados do Ministério da Indústria e Comércio.

Turismo, grandes eventos e revitalização urbana

Mário defendeu que Rio Preto vive um processo de reposicionamento turístico, impulsionado por grandes eventos, certificações nacionais e investimentos em infraestrutura. O secretário citou o impacto econômico do último Natal – estimado em R$ 125,5 milhões – e a estratégia de parcerias público-privadas para viabilizar ações sem grande aporte direto do orçamento municipal.

Entre os marcos recentes, destacou o show do Guns N’ Roses, marcado para abril, como símbolo da inserção da cidade na agenda internacional de eventos. Segundo ele, a Prefeitura prepara sinalização bilíngue, diálogo com restaurantes e hotéis e ações de acolhimento ao turista estrangeiro.

Revitalização do centro e ocupação como política de segurança

A entrevista também abordou a revitalização da área central e de espaços públicos como a represa municipal. Mário defendeu que ocupar a cidade com eventos, famílias e comércio é uma estratégia eficaz para reduzir degradação e criminalidade.

“Quando o poder público não ocupa, alguém ocupa. Não existe vácuo”, afirmou, ao citar experiências no centro, no calçadão e na represa.

Plano Prospera Rio Preto e incentivos fiscais

Para 2026, o secretário anunciou a preparação do Prospera Rio Preto, que ele classificou como o maior pacote de incentivos da história do município. O plano prevê isenções de IPTU e ITBI por até 12 anos, facilitação na aquisição de áreas e estímulos à reocupação e reforma de imóveis antigos na região central.

O projeto deve ser encaminhado à Câmara Municipal no primeiro trimestre e, segundo Mário, segue diretrizes do prefeito Coronel Fábio.

Gestão sob cobrança

Ao final da entrevista, Mário afirmou que a gestão municipal trabalha sob cobrança constante e defendeu um voto de confiança da população. “Não existe resultado imediato, ainda mais em uma cidade com quase 600 mil habitantes”, disse, ao elogiar o ritmo de trabalho do prefeito.

A entrevista escancara um ponto central para o futuro de Rio Preto: o desafio de transformar discurso de crescimento em resultados concretos, com geração de empregos, redução da burocracia e uso eficiente do dinheiro público – temas que devem seguir no centro do debate político e econômico da cidade em 2026.

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