Em entrevista ao Podcast Diário do Rodrigo Lima, disponível no YouTube, o deputado estadual Itamar Borges (MDB) fez uma avaliação dura da atual administração de São José do Rio Preto, defendeu o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) como nome para a Presidência da República em 2026 e voltou a dizer que foi alvo de um “assassinato de reputação” na eleição municipal de 2024.
O programa foi gravado na última de sexta-feira, 28, em Rio Preto, e exibido no canal do Diário do Rodrigo Lima, que se aproxima da marca de 100 mil inscritos. Ao longo de quase uma hora de conversa, Itamar alternou balanço de mandato, análise regional e recados políticos sobre o futuro.
Itamar descreveu uma rotina dividida entre São Paulo e a região de Rio Preto. Segundo ele, três dias por semana são dedicados à capital e outros quatro a Rio Preto e cidades próximas.
“Eu não sou político de gabinete”, afirmou. O deputado disse que mantém escritório fixo na cidade há 16 anos e que prioriza visitas a entidades, hospitais e lideranças locais: “Quando você ouve, quando você está presente, você erra menos, você acerta mais”.
Municipalista declarado, lembrou ter sido vereador e prefeito antes de chegar à Assembleia, e afirmou que as pequenas cidades “dependem do governo do Estado e do governo federal”, sobretudo em momentos de aperto de caixa e dificuldades para pagamento de 13º salário e custeio.
Base com Tarcísio e defesa do agro na COP
Líder do MDB na Assembleia Legislativa, Itamar reforçou seu alinhamento com Tarcísio. Disse que apoiou Rodrigo Garcia (PSDB) no primeiro turno da eleição estadual, mas que, no segundo, migrou para o atual governador – e, desde então, mantém relação direta com o Palácio dos Bandeirantes.
“O governador Tarcísio é um craque, está fazendo um grande trabalho como governador de São Paulo”, afirmou. Para ele, o republicano “está preparadíssimo para ser presidente” e é “o mais preparado” entre os nomes em circulação para 2026.
Itamar preside a Frente Parlamentar do Agronegócio Paulista e contou ter ido à COP como representante do setor, em defesa da agenda ambiental ligada ao agro. Ele diz que o setor, historicamente tratado como vilão nas conferências climáticas, passou a ser visto como parte da solução: “O agro chegou lá como vilão e saiu como solução para a questão ambiental”, resumiu, citando biocombustíveis, energias renováveis e práticas sustentáveis.
Além da frente do agro, o deputado também preside a Comissão de Agricultura da Assembleia e a frente de apoio às santas casas e hospitais filantrópicos, que ele credita como uma das forças políticas por trás da criação da “tabela SUS paulista” e da regionalização da saúde.
Investimentos, hospitais e obras na região
No campo das entregas, Itamar listou recursos para o Hospital de Base, Santa Casa e outras unidades de saúde, além de investimentos em educação e infraestrutura. Citou:
Hospital Regional de Mirassol, onde diz atuar “desde a pedra fundamental” e ter trabalhado com quatro governos até a conclusão da obra.
Clínica PET em Rio Preto, que, segundo ele, está praticamente pronta e foi resultado de articulação com o governo estadual em resposta a demandas de protetores de animais.
Escolas estaduais – como a unidade do Lealdade e Amizade, pela qual afirma lutar há mais de dez anos, além de escola em PPP no Arroyo Maria Lúcia e futura escola no Caetano.
Expansão da Fatec – com quatro novos cursos e investimento de cerca de R$ 5 milhões.
Duplicação e obras na Washington Luís (SP-310) – que, na avaliação do deputado, vão “mudar o patamar da região” em segurança viária e desenvolvimento, apesar dos transtornos temporários.
Itamar afirmou ainda que, no orçamento em discussão, destinou mais de R$ 5 milhões em emendas para Rio Preto, com foco em entidades sociais e hospitais.
Eleição de 2024 e “assassinato de reputação”
Ao falar da disputa municipal de 2024, na qual foi candidato à prefeitura e acabou derrotado, o deputado classificou a campanha como “dominada por fake news, mentiras e acusações falsas”.
Segundo ele, o objetivo dessas mensagens era “enganar as pessoas, inverter a verdade” e construir uma narrativa de inelegibilidade e envolvimento com crime organizado que, afirma, não se sustentou: “Eu não devo nada à Justiça. Quando teve alguma coisa, eu fui inocentado”, disse.
Itamar afirmou que o Ministério Público arquivou acusações feitas durante a campanha e que as denúncias de ligação com facção criminosa, condenações e suposta impossibilidade de tomar posse “foram por terra” após as eleições.
Ele diz ver o episódio como tentativa deliberada de destruição de imagem: “Foi um assassinato de reputação”, definiu. Questionado se faria algo diferente, respondeu que se esforçaria ainda mais para alertar o eleitorado sobre o impacto das fake news e da radicalização no debate público.
Apesar das cicatrizes, afirmou que segue atuando pelo município: “Sou muito cristão, bola para frente. Continuo ajudando Rio Preto”.
Críticas à gestão Coronel Fábio em Rio Preto
Parte central da entrevista foi dedicada à avaliação da atual administração municipal. Sem citar o prefeito apenas pelo primeiro nome, o deputado afirmou que, nas ruas, encontra “muita tristeza” com temas como IPTU, saúde, zeladoria e transporte coletivo.
Sobre o reajuste do IPTU, classificou o aumento em torno de 20% como “cinco vezes a inflação do ano” e questionou: “Quem teve o salário aumentado cinco vezes a inflação?”. Também fez referência à discussão sobre a planta genérica de valores, que, segundo ele, tem preocupado moradores.
Na saúde, disse ouvir que o serviço “vem piorando momento a momento” e citou frustração com a promessa de abertura do Hospital Municipal para atendimento direto aos munícipes.
Itamar mencionou ainda:
- a segunda unidade do Bom Prato na zona norte, com equipamentos já adquiridos e instalada em Mirasolândia, mas ainda sem funcionar, o que, segundo ele, é motivo de cobrança de moradores;
- a pista de arrancada no extremo da zona norte, construída com investimento de cerca de R$ 2 milhões, mas ainda sem operação organizada, levando usuários a ocupar o espaço de forma irregular;
- o fechamento da Casa do Emprego na zona norte, que, de acordo com ele, inseria cerca de 200 jovens por ano no mercado de trabalho e foi descontinuada sob argumento de economia de aluguel.
O deputado também criticou o que chama de piora na sensação de segurança, associando o quadro ao aumento de pessoas em situação de rua em diferentes pontos da cidade e à falta de soluções estruturadas.
Na área fiscal, questionou o discurso de que a cidade estaria “herdando problemas” da gestão anterior. Citou o recuo no financiamento para captação de água do Rio Grande, considerado por ele “totalmente necessário” diante do crescimento projetado de Rio Preto, e criticou o aumento da dívida municipal por meio de novos financiamentos e PPPs.
Segundo Itamar, os projetos de parceria público-privada podem endividar o município “três vezes mais” do que o financiamento de R$ 600 milhões para água, originalmente preparado pelo governo anterior.
Defesa do legado de Edinho e disputa de narrativas
O deputado saiu em defesa do ex-prefeito Edinho Araújo, a quem chamou de “maior prefeito da história da cidade”. Para Itamar, críticas que atribuem à gestão anterior a origem dos atuais problemas não se confirmam na prática.
“Não tem nenhuma área da cidade que esteja igual ou melhor do que estava quando o Edinho deixou a prefeitura”, afirmou, dizendo falar como alguém que acompanhou “de perto” os quatro mandatos do ex-prefeito.
Sobre o futuro político de Edinho, disse que o ex-chefe do Executivo ainda não decidiu se será candidato, mas admitiu trabalhar para que ele concorra a deputado federal em 2026. Também não descartou eventual candidatura ao Senado, caso o MDB confirme o nome.
Reeleição, 2026 e cenário nacional
Itamar confirmou que será candidato à reeleição para deputado estadual em 2026. Disse que o foco, neste momento, é “continuar sendo o deputado de Rio Preto e da região”, atuando em parceria com prefeitos, entidades e hospitais.
No plano nacional, reforçou que seu candidato à Presidência é Tarcísio de Freitas. Para o governo paulista, citou nomes que circulam nos bastidores como possíveis sucessores, em caso de saída de Tarcísio para disputa nacional: o vice-governador Felício Ramuth, o prefeito de São Paulo Ricardo Nunes, o ex-governador Rodrigo Garcia, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, e o secretário Derrite.
Ao final, o deputado agradeceu o espaço, disse-se “eternamente grato” ao carinho dos rio-pretenses e desejou um fim de ano de reflexões, saúde e conquistas para a população. Reafirmou que pretende seguir trabalhando por Rio Preto e pela região “da forma que Deus e a população entenderem”.
